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TECNOLOGIA DE ALUGUEL

Softwares disponiveis via internet podem reduzir os custos com manutenção e aumentar a produtividade nas empresas.


por: Jo Braga

Quando decidiu apoiar sua estratégia na internet, a corretora de seguros AC Gonzaga, localizada em Barueri-SP ganhou agilidade, mas também se viu mais vulnerável aos vírus, que chegavam pela rede e atrapalhavam as tarefas, cada vez mais dependentes da tecnologia.

Mesmo adotando um antivírus, a empresa não resolveu o problema. Para que a alternativa fosse eficiente , era necessário atualizar o sistema qua-se que diariamente, rotina que nenhum funcionário assumiu.


Aplicações em nuvem

Em 2004, para sanar de vez os problemas, a corretora decidiu investir em um modelo de software como serviço. Nele, o programa não fica instalado na corretora, mas sim hospedado no fornecedor e é acessado pelos computadores automaticamente, assim que estes são ligados e conectados à web.

Entre as principais vantagens da opção está o ganho de produtividade e a redução de custos. "Nos últimos cinco anos, contabilizamos uma diminuição nos gastos com manutenção do antivírus que chega a R$ 9 mil no total, considerando licenças e contratação de prestadores de serviços", calcula Aline Gonzaga, sócia-proprietária da corretora. O pacote escolhido foi o Total Protection for 5MB, serviço da McAfee voltado a pequenas e médias empresas, contratado por meio da revenda NetSare.

A AC Corretora paga R$ 703,08 anuais divididos em 12 vezes e, com isso, conta com verificações automáticas de suas máquinas, sem que isso interfira no trabalho dos funcionários ou exija sua participação. Quando necessário, o suporte a uma das seis máquinas é feito on-line ou por telefone. "Dessa maneira, conseguimos aumentar a produtividade e, por tabela, reduzir os custos", complementa a empresária.

Avalie a Alternativa

O modelo de software como serviço (ou, na sigla em inglês SaaS, de "Software as a Service") começaram a ganhar força no mercado há cerca de três anos. Com maior acesso das empresas à internet banda larga, o desenvolvimento de novas ofertas por parte dos fornecedores e, principalmente, maior confiança nas transações realizadas on-line, a opção começou a conquistar os empresários.

E o padrão de software gerenciado tende a crescer. De acordo com o Gartner, consultoria especializada na área de tecnologia da informação, em 2005, cerca de 5% do faturamento da indústria de software vinha desse modelo, mas, até 2011, estima-se que esta fatia aumente e chegue a 25% do volume vendido.

No modelo de software à distância, a empresa pode incluir no aluguel diversos itens, como: licenças, hospedagem das soluções no fornecedor, gerenciamento da aplicação, segurança, disponibilidade e gerenciamento da infra-estrutura, além do aluguel do hardware, se necessário para suportar as soluções.

"O pagamento é de acordo com uma métrica estabelecida, que pode ser número de usuários por mês, ou de transações, módulos de software ou um preço fixo mensal", explica David Dias, gerente de alianças estratégicas da IBM América Latina, empresa que oferece software como serviço a micro e pequenas empresas via parceiros.

Dias cita ainda um estudo da consultoria norte-americana McKinsey, que calcula uma redução de mais de 30% nos cus'tos totais associados à aquisição e manutenção das soluções com a implementação do software como serviço, comparado ao modelo tradicional. Para Robinson Patroni, gerente comercial da Uses Informática, fornecedor de sistemas de gestão empresarial como serviço, outra vantagem seria a possibilidade de avaliar a solução on-line antes de contratar. Além disso, a contratação é feita sob demanda e pode ser ajustada de acordo com o tamanho da empresa e seu ritmo de crescimento.

Aurimar Cerqueira, diretor de marketing da Senior Solution, fornecedora de software para o setor financeiro, avalia que os custos embutidos no modelo tradicional relativo
à implementação, como customizações e treinamento, geralmente encarecem a operação em 50%, se comparada às taxas de assinatura pagas aos provedores de software como serviço. "Estes custos 'escondidos', conforme o modelo de software necessário, chegam a aumentar, em alguns casos, em até dez vezes os investimentos para adquirir as
licenças de software", estima.

Outro aspecto positivo apontado pelos fornecedores é a desobrigação de investimento em hardware cada vez que os softwares precisam ser atualizados ou ganhar novas funcionalidades. Foi isso o que atraiu Ricardo Altgauzen, proprietário da engarrafadora de água Lindoya Jóia, do interior de São Paulo, a adotar um sistema de gestão integrada (ERP) da New Age, no modelo de software como serviço.

Altgauzen conta que, há cerca de dois anos, sentiu necessidade de colocar todas as informações da empresa em uma Única plataforma, de maneira que as novas inserções de dados (como faturamento, compras e produção) pudessem ser feitas uma única vez, e não em etapas e tabelas diferentes. "Queria evitar o retrabalho e, principalmente, os erros", considera.

O empresário acabou optando por uma fornecedora de ERP New Age. "O que mais me atraiu foi a desobrigação de investir em hardware e ter de fazer a manutenção", afirma. Ele paga R$ 600 por mês para ter duas máquinas acessando o software simultaneamente. Para se ter uma idéia, se a opção fosse por compra, um ERP voltado a pequenas empresas pode custar alguns milhares de reais e, geralmente, exige alguma melhoria em termos de hardware. Altgauzen ainda não pode avaliar a redução relativa de custos, mas garante que as informações ficaram mais confiáveis.


fonte: Revista "Meu Próprio Negócio #67"